CULTURE-SE | O universo psicodélico e paralelamente melhor de Daniel Ratto

Marmotas, amores e dois drinks flamejantes é o novo livro de poesia do autor, lançado dia 18/9 no Sarajevo, em São Paulo

ratto culturese

Quem conhece Daniel Perroni Ratto – poeta, jornalista, músico, letrista, turismólogo, professor, especialista em mídia, informação e cultura (ECA/USP), e servidor público federal (sim, tudo isso!) – certamente já o ouviu recitar alguns de seus melhores e mais envolventes poemas. O ritmo, a entonação a sonoridade… enfim, é inconfundível e torna vivo cada verso escrito por ele. Quando o próprio me mandou o original de Marmotas, amores e dois drinks flamejantes (Editora Patuá) – seu novo livro de poesia que será lançado neste dia 18, quinta-feira, no Sarajevo, em São Paulo – logo pensei que não seria nem de perto a mesma coisa. Entrei no jogo da leitura achando que ia perder. Dessa vez, meu palpite pra lá de pessimista me deixou na mão, e eu errei e feio – o que foi ótimo e revelador!

Logo no início, a Apresentação do músico Tatá Aeroplano dá dicas de um universo psicodélico, porém completamente real. “Fui transportado para muitos lugares: revisitei amores, fui pra minha terra natal, me reconectei com o campo, voltei, me recompus”. Com o poder da palavra e o talento para ela, Ratto faz exatamente isso: transporta o leitor para cada cenário que é descoberto em uma nova página – como no poema Um deserto chamado saudade: “Hoje lá no Ceará/ No sítio a fartura/ Ô Vontade de estar/ Nesse alpendre, numa rede/ vendo a chuva cantar!”

Já no prefácio, escrito por Roberto Bicelli, o poeta, romancista e produtor cultural escancara a que Ratto veio com esta obra, aguçando ainda mais a vontade de embarcar nessa viagem delirante. A temperatura aumenta, o fôlego encurta. A “ratatouille” servida pelo autor será mais que saborosa. Neste instante, Bicelli cita um trecho de Mulheres de Roberto e Erasmo, da parceria entre Ratto e o jornalista e poeta, Jr. Bellé:

[…]
Tire-me a ação
Deixe-me boquiaberto
Cheio de tesão
Teu babydoll entreaberto
[…]

Agora, não tem mais volta. O remédio é cair de boca e mergulhar na trama tecida por Ratto! Ao passar pelas páginas, é possível ouvir o ritmo visceral criado para cada verso, é visível o próprio tragando e soltando cada uma das palavras escritas.

[…]
Iara é a porra-louquice
A transgressão
Iara é a louca junkisse
A subversão
Iara é a bela crendice
A inspiração
É a liberdade sangrando
Na tua cara!
[…]

Mas assim como o velho Ratto está presente na obra, outra faceta do poeta transparece. A revelação é que “o menino vira homem”, como afirma a escritora Natércia Pontes no posfácio. A história, a família, a infância, os filhos estão lá, impressos com uma ternura sincera. A desconfiança disso logo aparece no poema Águas de Marrecas (Gereraú):

[…]
Nas casas de taipa
O fogão à lenha queima sabiá
Para alimentar o caboclo
É madeira que faz estaca
 
As redes no alpendre
O vento nas folhas
A vida no ventre
A esperança nas chuvas 
[…]

E a certeza vem no poema escrito para a filha, O que ela quiser:

[…]
Aos dezessete tudo é possível
De se imaginar
Até se achar invencível
Quando ninguém mais pensar.
[…]

O poeta maturou e surge em Marmotas, amores e dois drinks flamejantes desarmado. Despe suas vontades, seus amores, suas amantes e as coloca ao lado da história que o faz o homem de hoje. Entre Óculos, cervejas e mantas flamejantes / Nos arcos belos da boemia / Encontros, festas e desejos flutuantes são escancarados num livro que encanta e mostra um universo paralelamente melhor.

Publicado no portal Culture-se / Editoria de Literatura/setembro 2014

 

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ARTIGO CIENTÍFICO | Gamificação

a transformação do conceito do termo jogo no contexto da pós-modernidade

O presente artigo tem como objetivo analisar o processo de transformação do conceito do termo jogo no contexto da sociedade e do indivíduo pós-moderno, culminando na implementação de projetos baseados na gamificação. Com a aplicação de elementos, mecanismos, dinâmicas e técnicas de jogos na rotina profissional, escolar e social do indivíduo, o jogo é deslocado da função de distração, tem seu conceito ressignificado e assume novo papel e importância na sociedade. 
Artigo científico produzido para pós-graduação de Mídia, Informação e Cultura, cursado no Celacc – ECA/USP, julho de 2013.
Citações em:

GUIA DO ESTUDANTE | Caderno Regional – Mercado de trabalho Norte/Nordeste

Mercado de trabalho  Norte/Nordeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Mercado de trabalho Norte/Nordeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Mercado de trabalho Norte/Nordeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Mercado de trabalho Norte/Nordeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Mercado de trabalho Norte/Nordeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Mercado de trabalho Norte/Nordeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Publicado no Guia do Estudante / Caderno Regional Norte/Nordeste/ Edição 2013

GUIA DO ESTUDANTE | Caderno Regional – Mercado de trabalho Centro-oeste

Mercado de trabalho Centro-oeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Mercado de trabalho Centro-oeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Mercado de trabalho Centro-oeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Mercado de trabalho Centro-oeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Mercado de trabalho Centro-oeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Mercado de trabalho Centro-oeste – Revista Guia do estudante, ed. 2013

 

Publicado no Guia do Estudante / Caderno Regional Centro-oeste / Edição 2013

GUIA DO ESTUDANTE | Seção Profissões – Carreira militar

Carreira militar – Revista Guia do estudante, ed. 2013

Carreira militar – Revista Guia do estudante, ed. 2013

 

Publicado no Guia do Estudante / Seção Profissões / Edição 2013

GUIA DO ESTUDANTE | Seção Profissões – Carreira diplomática

Carreira diplomática - Revista Guia do estudante, ed. 2013

Carreira diplomática – Revista Guia do estudante, ed. 2013

 

Publicado no Guia do Estudante / Seção Profissões / Edição 2013

BBB | No jogo da vida, o que ganha é o silêncio

Quando eu digo que assisto ao Big Brother, muita gente me olha torto. “Nossa, mas uma moça tão inteligente, faz pós-graduação e tudo, assistindo a este tipo de programa, que é a vulgaridade praticada em sua máxima, que é o cúmulo da burrice, da imbecilidade, da idiotização do público telespectador”. Pois é. Assisto e admito que acompanho um pouco de cada reality que passa pela televisão aberta e fechada, de cada meme que surge junto com uma frase quase surreal de um participante aqui, outro lá pelos lados de lá.

“Meu corpo é brindado e a tua praga não pega”. Pérola que virou meme e foi declamada aos berros por Aline, primeira eliminada do Big Brother Brasil 13, que é a cara da personagem Penha, da novela Cheias de charme, que é a cara da periferia carioca, que é a cara da consciência do brasileiro – que pensa, até demais, mas sempre de boca calada. Aline foi a voz alta, gritada, de muita gente. O assunto podia ser pífio, fútil, sem sentido. Mas ela deu a sua cara a tapa, falou o que tinha que falar, “até na frente do Bial”. A piada feita pela charge animada e, como sempre, desprovida de graça, que já é tradição do programa, mostra o lacre de hipocrisia que a morena quebrou.

A rotina de um reality show só tem graça e gera o interesse e a audiência que tem devido a três elementos – romance, comédia e confusão. O mesmo alicerce do cinema, diga-se de passagem. A confusão, ápice de todo reality, ainda segue uma determinada ordem de acontecimentos, para ser completa e perfeita: o pau come dentro da casa e todos os participantes sabem, viram, xingaram, se meteram. Mas, durante o programa ao vivo, são todos cordeirinhos falando de forma hipotética e distante. Civilizados. É isso que se tornam. O bando de loucos varridos e barraqueiros se tornam civilizados porque tem gente vendo. Mas qual é a verdadeira tara por essa falsa civilidade?

A eliminação de Aline, na primeira semana de BBB, mostra, acima de tudo, a predisposição do brasileiro à hipocrisia. E quando digo ‘brasileiro’, falo da massa que gruda a bunda na cadeira em frente à TV todo final de noite para distrair da realidade do mundo, falo da audiência que é formada pelo todo, por mim e, se não por você, pelo seu pai, sua tia, sua vó. Aline falou em alto e bom som tudo o que a maioria pensava, tanto participantes como espectadores. Tudo o que todo bom brasileiro gostaria de falar pro chefe que humilha e explora; pra polícia que deturpa e mata; pro parente metido em maracutaia; pra vizinha fofoqueira e chifruda.

Pensa, mas não fala. Em nome da civilidade. Em nome da ordem e dos bons costumes. Em nome da harmonia. Que harmonia é essa que a massa ainda sonha e jura querer? Harmonia de novela, que nem em reality show existe. A eliminação de Aline mostra como somos todos programados a aceitar apenas aquela falsa harmonia, aquela calmaria maquiada na mentira. Sempre muito mais bonita e bem vinda que a hostil e cruel verdade que é a vida, que são as relações humanas. A eliminação de Aline é um voto para a realidade manipulada e dissimulada que a maioria imagina ser a ideal. E a imaginação é tanta que na hora de decidir o futuro do show de marionetes, que é um reality, o que ganha é o “certo”, é o “bom”, o ponderado. Sem verdade. Sem opinião. Sem voz.

A voz alta perdeu, mais uma vez. Como perde todos os dias nas ruas, nas manifestações que são caladas antes mesmo de começarem. Antes de mais nada, o resultado de um reality é a cara e a opinião da massa de um povo. E a cara da nossa massa é a escolha própria e voluntária pelo silêncio. Pela bela, certa e forjada civilidade.

Que pena. Eu ainda prefiro o grito histérico e de português errado.

CULTURE-SE | Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Nas próximas duas semanas, o evento trará 350 filmes, de mais de 60 países

 

O recorte da vida, das relações humanas, dos amores, das buscas, intempéries e protestos volta a ser o personagem principal da cidade que não para – mas que, definitivamente, passará a respirar em 24 quadros por segundo. Nessa sexta-feira, começa a 36ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, exibindo o melhor da sétima arte.

De 19 de outubro a 2 de novembro, o evento apresentará cerca de 350 títulos (100 a mais que no ano passado), de mais de 60 países, em 28 espaços, entre salas de cinema, museus e instituições culturais espalhados pela capital. A seleção deste ano faz um apanhado do cinema contemporâneo mundial, contemplando as principais tendências, temáticas, narrativas e estéticas adotadas.

Entre os longas mais esperados, estão os premiados em festivais nacionais e internacionais, com destaque para:

Além das Montanhas“, de Cristian Mungiu (Romênia), prêmios de melhor roteiro e melhor atriz em Cannes.

O Som ao Redor“, de Kleber Mendonça Filho (Brasil), prêmios de melhor filme e melhor roteiro no Festival do Rio, além de melhor filme pelo júri popular no Festival de Gramado.

Tabu“, de Miguel Gomes (Portugal), prêmio Fipresci no festival de Berlim.

O Amante da Rainha“, Nikolaj Arcel (Dinamarca), Urso de Prata de melhor roteiro em Berlim.

Alpes“, de Giorgos Lanthimos (Grécia), prêmio de melhor roteiro em Veneza.

Era uma Vez Eu, Verônica“, de Marcelo Gomes (Brasil), prêmios de melhor filme, melhor roteiro e melhor fotografia no Festival de Brasília.

Colegas“, de Marcelo Galvão (Brasil), prêmio de melhor filme em Gramado.

Outras obras que também merecem destaque, e um espaço na agenda, são:

No“, de Pablo Larraín (Chile, França e Estados Unidos), que abriu o Festival nessa quinta-feira, dia 18. Com Gael García Bernal no elenco, o filme mostra a campanha do plebiscito que derrubou Pinochet do poder, após 17 anos de ditadura.

Depois da Batalha“, de Yousry Nasrallah (Egito e França), que traz o movimento popular que levou à queda do regime de Hosni Mubarak no Egito e as mudanças da primavera árabe.

Reality“, de Matteo Garrone (Itália e França), que mostra o cotidiano reduzido a um reality show.

Entre as retrospectivas da mostra, a principal trará a filmografia completa do cineasta russo Andrei Tarkovsky. Marcado pela narrativa existencial e pela influência do cineasta sueco Ingmar Bergman, para conhecer ou reviver seu estilo, vale a pena conferir títulos como “A Infância de Ivan” (1962) – seu primeiro filme, que foi ganhador do Leão de Ouro em Veneza, – “Andrei Rublev” (1966), “O Sacrifício” (1986) e as ficções científicas “Solaris” (1972) e “Stalker” (1979).

 A programação completa da mostra você encontra no site da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Publicado no portal Culture-se / Editoria de Cinema/outubro 2012